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As distintas formas de intertextualização

Todas as vezes em que ressaltamos sobre a intertextualidade, nos remetemos ao conceito das diferentes “vozes” expressas em um discurso. Se pararmos para analisar, constataremos que as relações intertextuais se encontram presentes nas mais diversas situações comunicativas que perfazem nosso cotidiano. A título de ilustração, focaremos no caso das charges, nas quais a finalidade discursiva se pauta por evidenciar um problema polêmico, quase sempre relacionado a fatos sociais, sobretudo oriundos da política como um todo. Assim sendo, de acordo com nosso conhecimento de mundo, é possível que não tenhamos dificuldade em decodificar o discurso ora evidenciado. Até mesmo em se tratando de conversas informais, evidências atestam que vez ou outra intertextualizamos um pensamento, um provérbio e até mesmo uma frase anteriormente dita por outrem.

Uma vez de posse do conhecimento acerca de sua recorrente manifestação, relevante é nos atermos às distintas formas pelas quais a intertextualidade se materializa, às vezes por meio de um diálogo explícito, ou por aquele “sutilmente” subentendido:
a) Paráfrase - Muito presente em textos literários, a paráfrase se revela por ser uma recriação que, embora expressa por outras palavras, mantém a ideia retratada pelo texto-base (original) intacta.

Exemplos permitem-nos compreendê-la:

Texto Original

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.


(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).


Paráfrase

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido minha terra…
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!


(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”).


Paródia – Consiste também em uma recriação, todavia, a intencionalidade discursiva pauta-se por criticar e ironizar a ideia contida no texto original, muitas vezes sob um tom jocoso. Como fator de extrema relevância, voltemos ao exemplo das charges, ora manifestadas por uma intensa crítica. Perfeitamente compreensível em:

Texto Original

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.


(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”).

Paródia

Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá
.

(Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”).


Epígrafe – Trata-se de um pensamento filosófico, dito por importantes figuras muito bem representadas no decurso da história, materializado muitas vezes por meio de trabalhos científicos, tais como monografias, dissertações de mestrado, teses de doutorado. De modo a evidenciá-los, temos:

O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. Albert Einstein

Em todas as coisas o sucesso depende de uma preparação prévia, e sem tal preparação o falhanço é certo.
Confúcio



Citação – Revela-se pela transcrição demarcada entre aspas ou até mesmo por meio de outros recursos, de um texto, um poema, uma vez que se trata de uma autoria alheia. Exemplificado em:

Procura da poesia

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

{...}

Carlos Drummond de Andrade


Tradução – Como literalmente retrata o conceito, trata-se de uma recriação, razão pela qual se enquadra na modalidade em referência, uma vez exemplificada em:

“Kennst du das Land, wo die Citronen blühn,
Im dunkeln Laub die Gold-Orangen glühn,
Kennst du es woh? – Dahin, dahin!
Möcht’ich... Ziehn.”

Goethe


Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.


Gonçalves Dias



Referência e alusão – Estão relacionadas ao fato de o emissor, mediante a interlocução, referir-se a alguém importante, a uma obra literária, a um fato histórico, entre outros. Representando tal aspecto, citamos o célebre Machado de Assis, que em sua obra “Dom Casmurro”, cita Otelo, personagem Shakespeariano.


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras

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