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Casimiro de Abreu
Casimiro de Abreu – um dos representantes do ultrarromantismo

Falar sobre Casimiro de Abreu nos remete a um estilo de época notadamente importante: o Romantismo. Tal época, não se diferenciando das demais, também se apoiou em correntes ideológicas específicas, sobretudo em se tratando do contexto político-econômico que tanto norteou todas as eras pertinentes à história brasileira. O movimento romântico se fez visto pelo sentimento nacionalista, especialmente demarcado pela primeira fase, cuja representação ímpar esteve a cargo de Gonçalves Dias. Dessa forma, esse desejo de insatisfação acerca da realidade circundante se manifestou pela palavra, ainda que muitas vezes camuflado. Insatisfação em relação a um Brasil liberto, contudo ainda preso às amarras da elite cujo poderio econômico se sobrepunha às classes menos favorecidas.

Se na primeira fase esse revelar se destacou pela exaltação da pátria, levando em conta suas raízes, seus traços históricos, paisagens, habitantes primitivos; na segunda fase, também consolidada como ultrarromântica, tal manifestação pendeu para outros rumos.

Rumos esses levados às últimas consequências, cujas manifestações se deram em favor da solidão, escapismo, fuga da realidade, desejo de morte, subjetivismo, loucura, embriaguez, enfim, tudo que leva o ser humano a se refugiar dentro de si. E foi seguindo essa linha de pensamento que representantes como Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire e Casimiro de Abreu se destacaram no cenário artístico nacional, ainda que prematuramente falecidos.

Esse autor do qual falamos, Casimiro de Abreu, nasceu em 1839, em Barra de São João, no Rio de Janeiro. Aos quatorze anos de idade partiu para Portugal a fim de dar continuidade aos estudos antes iniciados no Rio. Aos dezesseis anos viu representada a peça que escrevera, Camões e o Jaú, passando assim a escrever para a imprensa portuguesa. Retornando ao Rio de Janeiro, em 1857, trabalhou no comércio. Seu único livro de poemas foi publicado quando tinha vinte anos, em 1859. Um ano depois da publicação, faleceu numa fazenda das proximidades do Rio de Janeiro, como já afirmado, prematuramente, pois tinha apenas vinte e um anos.

Afirma-se que não se mostrou tão pessimista quando comparado aos demais representantes da época, principalmente em se tratando de Álvares de Azevedo. Contudo, não diferente dos outros, também cultuou a morte, a brevidade da vida, o trágico, o desejo de solidão, enfim. Características tais evidenciadas numa de suas criações, intitulada:

Desejo

Se eu soubesse que no mundo
Existia um coração,
Que só' por mim palpitasse
De amor em terna expansão;
Do peito calara as mágoas,
Bem feliz eu era então!

Se essa mulher fosse linda
Como os anjos lindos são,
Se tivesse quinze anos,
Se fosse rosa em botão,
Se inda brincasse inocente
Descuidosa no gazão;
 [...]

E se o peito lhe ondulasse
Em suave ondulação,
Ocultando em brancas vestes
Na mais branda comoção
Tesouros de seios virgens,
Dois pomos de tentação;

E se essa mulher formosa
Que me aparece em visão,
Possuísse uma alma ardente,
Fosse de amor um vulcão;
Por ela tudo daria...
— A vida, o céu, a razão!

Ao analisarmos tal criação, constatamos uma característica bastante notória no período em questão: a idealização do amor. Sob essa perspectiva, a mulher para os ultrarromânticos era vista como alguém que lhes despertava os mais íntimos desejos, porém ela era inatingível. Assim, por meio da conjunção subordinativa condicional “se” (Se essa mulher fosse linda/Como os anjos lindos são,/Se tivesse quinze anos,/Se fosse rosa em botão,/Se inda brincasse inocente), podemos perfeitamente inferir que se trata de um fato que pode ou não ocorrer. Tratava-se de um amor visto sob o plano não terreno, mas sob o plano espiritual, divinamente intocável. Aqui cabe afirmar que esse jogo duplo, manifestado pelo desejo x não concretização atuava como espécie de regeneração do próprio caráter, ocorrência essa que resultava tão somente na perda de sentido da própria vida, um traço essencialmente característico do estilo em voga.

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