Diretório
Babeuf e Conspiração dos Iguais: último suspiro dos setores populares dentro da Revolução Francesa.

O Diretório, criado em 1795, marcou a retomada de poder dos girondinos na condução do processo revolucionário francês. Aproveitando toda a instabilidade política deixada pelos radicais que capitanearam a Convenção Nacional, a alta burguesia conseguiu reassumir o país promovendo reformas que deram fim às medidas populares criadas anteriormente. Daí em diante, a consolidação de qualquer mudança mais profunda seria controlada por instrumentos de visível exclusão política.

Entre as primeiras medidas tomadas, o novo governo criou uma nova constituição que colocava cinco integrantes à frente do Poder Executivo. Estes membros do chamado Diretório seriam escolhidos por meio da votação do Poder Legislativo que, por sua vez, voltariam a ser escolhidos pelo sistema de censitário. Por meio dessas medidas, buscava-se evitar outra possível radicalização política e, ao mesmo tempo, estabilidade necessária para se lutar contra os problemas internos e as tropas inimigas.

A composição do cenário político ganhou uma nova configuração, onde os girondinos ocupavam a parte central da assembléia legislativa, os realistas ficavam à direita e os poucos jacobinos que restavam situados à esquerda. Nessa transição houve uma tentativa de restauração da monarquia através de um golpe. Contudo, um jovem militar chamado Napoleão Bonaparte foi responsável por conter a trama que colocou a revolução sob ameaça.

Da mesma forma, os radicais também tentaram abalar o poder burguês restaurado por meio de uma grande revolta popular. Graco Babeuf, líder principal da chamada “conspiração dos iguais”, realizava duras críticas contra a manutenção da propriedade privada e defendia a volta de um governo popular capaz de extinguir qualquer tipo de desigualdade. Apesar de tais incidentes, o Diretório continuava a realizar as mudanças favoráveis ao projeto político burguês.

Contrastando com as disputas que agitavam o cenário político interno, a França conseguia vitórias cada vez mais significativas contra os exércitos absolutistas europeus. Nas batalhas ocorridas na Europa Oriental, em Malta, na Suíça, no Egito e na Síria os franceses impunham novas derrotas contra aqueles que temiam o avanço do ideal revolucionário. Entre tantos combatentes, a figura do general Napoleão Bonaparte se tornava unânime entre os defensores da soberania nacional francesa.

Em pouco tempo, as vitórias de Napoleão se transformaram em uma segura via de sua própria ascensão política. Convidado para participar do governo francês, Napoleão aproveitou o momento favorável para articular um golpe de Estado contra o Diretório. Com o apoio de membros expressivos da alta burguesia, o comandante militar realizou o golpe de 18 de Brumário, correspondente ao dia 9 de novembro de 1799, segundo o calendário cristão.

O Diretório passou a dar lugar ao Consulado, instituição integrada por três representantes entre os quais estavam Roger Ducos, o abade de Seyès e o próprio Napoleão Bonaparte. Na prática, o general corso concentrava as mais importantes decisões em suas mãos e, dessa forma, trilhava o caminho que posteriormente o elevaria à posição de imperador da França. Apesar da aparência monárquica, o vindouro fato consagraria as aspirações burguesas que movimentaram a Revolução Francesa.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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