Simbologias da bandeira nacional

Simbologias da bandeira nacional
A Bandeira Nacional do Brasil teve forte inspiração dos ideais positivistas

Uma das primeiras medidas adotadas pelos líderes republicanos após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi criar uma bandeira que fosse utilizada para representar o Estado brasileiro. Alguns dos objetivos eram não realizar uma cópia da bandeira dos EUA, já que uma muito similar foi hasteada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e também retirar alguns dos símbolos do Império.

Entretanto, a transformação não poderia ser total, pois segundo um dos idealizadores, Raimundo Teixeira Mendes (1855-1927), a bandeira deveria “manter tudo o que pudesse ser conservado, de modo a despertar em nossa alma o mais ardente culto pela memória de nossos avós”. Dois aspectos da antiga bandeira foram mantidos: o retângulo verde, símbolo da casa de Bragança, dinastia de D. Pedro I, que passou a representar as matas do país; e o losango amarelo (cuja figura geométrica em heráldica significa o feminino) que homenageava dona Leopoldina, esposa de D. Pedro I, sendo que o amarelo, cor da Família Imperial Austríaca, passou a representar as riquezas naturais do Brasil.

O losango dentro de um retângulo era utilizado nas bandeiras militares da Revolução Francesa de 1789, onde possivelmente Jean-Baptiste Debret, pintor que elaborou a bandeira imperial, inspirou-se.

Além das estrelas, cujas posições estariam de acordo com o momento em que a constelação do Cruzeiro do Sul se achava no meridiano do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889 – uma elaboração resultante do auxílio do astrônomo Manuel Pereira Reis (1837-1922), a bandeira tinha algumas influências do ideário positivista que havia conduzido membros do exército na derrubada da monarquia.

Outro idealizador da bandeira foi Miguel Lemos (1854-1917), que junto a Teixeira Mendes, era fundador da Sociedade Positivista Brasileira. Eles pretenderam impor no símbolo do Estado alguns princípios positivistas, expressos, sobretudo, no dístico “Ordem e Progresso”, decorrente da frase de Auguste Comte, fundador do positivismo, “Amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim”. Entretanto, o amor ficou de fora, sendo mantidos apenas a ordem e o progresso.

A esfera azul, no centro do losango, representava a esfera celeste com seu céu azul, entrecortada pela faixa branca que se refere à linha central do zodíaco, uma faixa da esfera celeste formada por 12 constelações e pela qual se movem o Sol, a Lua e os planetas. Algumas constelações estão representadas na bandeira, como a constelação de escorpião e a do Cruzeiro do Sul.

Desenhada pelo Pintor Décio Villares, a bandeira foi decretada como oficial em 19 de novembro de 1889, apenas quatro dias após a proclamação da República.

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