Plantation
O sistema de plantation empreendeu diversos problemas de ordem econômica e social no Brasil.
Os portugueses, ao iniciarem o processo de exploração econômica do território colonial, buscaram estabelecer uma atividade que pudesse atender suas ambições de maneira imediata. Assim, acabaram optando pela plantação de canaviais destinados à produção da cana-de-açúcar. A escolha dessa atividade deve ser atribuída a uma série de fatores conjunturais que permitiram o desenvolvimento da primeira atividade de exploração em terras brasileiras.

Na verdade, o domínio sob as técnicas de produção desse gênero agrícola era conhecido desde o século XIII. Contudo, a expansão de tal atividade só ocorreu quando os portugueses passaram a controlar regiões da costa africana onde desenvolveram a instalação de engenhos capazes de produzir grandes quantidades de açúcar. Com o passar do tempo, os portugueses exploravam tais atividades em regiões da Ilha da Madeira, São Tomé e Príncipe, Açores e Cabo Verde.

Em terras brasileiras, a instalação da economia açucareira seguiu o sistema da plantation. Nesse modelo de uso da terra temos o uso de grandes propriedades destinadas à produção de um único gênero agrícola sustentadas pelo trabalho escravo. Além disso, contrariando as necessidades da economia interna, a plantation instituiu a produção de gêneros agrícolas que atendessem o mercado externo. Dessa forma, impossibilitou a criação de um cenário econômico diversificado em terras brasileiras.

Ao longo da história econômica do Brasil, podemos observar que a exploração de outros gêneros agrícolas também seguiu o mesmo modelo das plantations. No século XIX, a economia cafeeira também adotou o uso de extensas propriedades monocultoras destinadas à comercialização no mercado externo. Nesse caso, a consolidação da economia cafeeira foi peça fundamental na compreensão do atraso econômico que impediu o desenvolvimento da indústria nacional.

Além de implicações de natureza econômica, o uso das plantations também instituiu outra complicada questão de natureza social no Brasil. Historicamente, a total ausência de políticas agrárias democráticas favoreceu o surgimento de uma elite agrária interessada em conservar as terras disponíveis nas mãos de uma minoria. Dessa maneira, o acesso a terra se transformou no sustentáculo de um processo de exclusão social ainda percebido no Brasil contemporâneo.


Por Rainer Sousa
Mestre em História



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