Formação do operariado brasileiro

Formação do operariado brasileiro
Formação do operariado brasileiro: bairros operários e família de imigrantes.

A Constituição Federal de 1891 se preocupava muito pouco com os problemas sociais. As relações de trabalho mantidas entre empregadores e empregados nas indústrias e nas cidades eram estabelecidas pela burguesia (mercantil, industrial, e financeira). O movimento operário ainda era muito incipiente, não tinha articulação política, apenas queria melhorar suas condições de vida.

A formação do operariado brasileiro se efetivou prioritariamente por brasileiros oriundos de regiões pobres e pela grande maioria de imigrantes estrangeiros (italianos, alemães, japoneses, poloneses, entre outros). Suas primeiras articulações aconteceram a partir do surgimento de ligas operárias e sociedades de resistência.

As principais reivindicações dos operários giravam em torno da melhoria das condições de trabalho (menor jornada de trabalho, assistência ao trabalhador doente e acidentado) e pela melhoria das condições de vida (moradia, educação, alimentação e saúde). Outra luta travada pelos trabalhadores foi pela normatização e regulamentação dos direitos trabalhistas feminino e infantil.

A articulação política do operariado brasileiro teve início com a vinda de teorias sociais advindas da Europa (por meio dos imigrantes europeus). Suas principais teorias eram o socialismo científico (Marx e Engels) e o anarquismo (Godwin e Bakunin). Os primeiros sindicatos foram formados e, concomitantemente, os trabalhadores foram desenvolvendo uma conscientização política e de classe, organizando greves e manifestações de caráter principalmente reivindicatório.

O socialismo exerceu importante papel na articulação dos operários. Em 1906, fundou-se o Partido Socialista Brasileiro, de tradição marxista, que mostrou aos trabalhadores que o antagonismo de classe move a história. O anarquismo teve maior importância na organização do movimento operário brasileiro no início do século XX. Sua principal preocupação seria a abolição da propriedade privada (burguesa liberal), pois havia a seguinte ideia: ‘os recursos naturais da terra pertencem a toda a sociedade, sua apropriação para fins privados é furto’.

As principais greves operárias ocorridas durante a Primeira República foram articuladas pelos anarquistas. Outro fato bastante presente era a grande circulação de jornais anarquistas: A Lanterna, La Battaglia, o Semanário Avanti, entre outros. Os anarquistas utilizavam a imprensa para propagar com maior eficácia as ideias sociais de contestação da ordem social vigente e tornar os operários conscientes politicamente.     
                                            
Com a industrialização no Brasil, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, houve uma rápida urbanização, na qual as cidades aumentaram sem nenhum planejamento, trazendo sérios problemas: falta de tratamento de água e esgoto, principalmente nos arredores onde se localizavam os bairros operários e os cortiços, agravando a falta de higiene e proliferação de doenças. Geralmente os operários viviam precariamente e miseravelmente com suas famílias nos cortiços ou habitações sublocadas.

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