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O governo de Lázaro Cárdenas no México (1934-1940)

O governo de Lázaro Cárdenas no México (1934-1940)
Lázaro Cárdenas em trajes militares

O governo presidencial de Lázaro Cárdenas, ocorrido no México entre 1934 e 1940, inseriu-se dentro do que uma vasta gama de historiadores denominou de populismo, apesar de haver uma divergência sobre essa caracterização. Ainda dentro do populismo, inseriram-se os governos de Getúlio Vargas, no Brasil, e o de Juan Perón, na Argentina. O principal objetivo do governo de Lázaro Cárdenas foi o de modernizar a economia e a sociedade mexicana, medida expressa principalmente em seu Plano Sexenal. 

Cárdenas entrou na vida política ainda durante a Revolução Mexicana, quando em 1913 aderiu ao Exército revolucionário. Sua capacidade autodidata o favoreceu a galgar postos mais altos na hierarquia militar. Em 1928, Cárdenas tornou-se governador do estado de Michoacán. Em 1931, passou a ser o presidente do Partido Revolucionário Nacional (PRN), que se dizia herdeiro da revolução de 1910.  

Essa posição no PRN proporcionou a Cárdenas candidatar-se à presidência da República e ser eleito em 1934. Seu mandato à frente do governo mexicano pautou-se pela tentativa de estimular a modernização da sociedade mexicana e de atender algumas das reivindicações que foram exigidas durante a revolução.

Uma das principais ações foi a realização de uma reforma agrária que distribuísse terras aos camponeses mexicanos. Em muitas localidades, os ejidos (parcelas de terras distribuídas pelo governo aos camponeses) distribuídos foram trabalhados de forma comunal, buscando estreitar os laços entre os camponeses. Foram também distribuídas armas aos camponeses para que estes pudessem se defender das forças conservadoras, principalmente as ligadas ao exército. Esse armamento dos camponeses fortalecia as posições dos oficiais ligados a Cárdenas dentro do Exército.

O apoio ao movimento operário com a liberação da realização de greves pretendia também atender às demandas dessa classe social, ao mesmo tempo em que buscava seu apoio contra os grandes capitalistas. Nesse sentido, Cárdenas incentivou a criação de sindicatos e durante seu mandato formou-se a Confederação dos Trabalhadores Mexicanos (CTM), que incorporou a Central Geral dos Operários e Camponeses Mexicanos e outras centrais sindicais. Foram ainda garantidos direitos trabalhistas e outros direitos sociais aos trabalhadores.

A luta dos trabalhadores contra as condições salariais e de trabalho impostas pelas companhias petrolíferas estadunidenses e britânicas serviu de motivo para que Cárdenas nacionalizasse as riquezas do subsolo do México, passando o Estado a controlar a exploração do Petróleo através da PEMEX (Petróleos Mexicanos). Essa medida também criou uma oposição dos governos e dos capitalistas dos dois países anglo-saxões, mas que foi diminuída durante a II Guerra Mundial em virtude da necessidade de suprimento dos derivados do petróleo aos exércitos aliados.

Essas determinações de Lázaro Cárdenas visavam atribuir ao Estado um poder centralizador de gestão do desenvolvimento capitalista no México. A transformação do PRN em Partido Revolucionário Mexicano (PRM) pretendia também aproximar as massas dessa instituição política e constituir as bases de um partido único no país.

No que se referia à política externa, o governo de Cárdenas foi ainda caracterizado pela aceitação de diversos exilados políticos no país, notabilizando-se os casos dos combatentes espanhóis da Guerra Civil Espanhola e do líder bolchevique Leon Trotsky.

Outro ponto a se destacar no governo de Cárdenas foi o incentivo dado à educação da população trabalhadora e camponesa do México. Com o estímulo à educação socialista, buscava-se retirar a influência religiosa católica do processo educacional, dando caráter mais laico à educação e criando as condições de formação de uma consciência da população que proporcionasse o desenvolvimento de uma Nova Nação. Essas medidas aproximavam-no mais de um governo nacionalista que propriamente socialista.

Alguns historiadores não concordam com a definição de governo populista dada à forma de governo executada por Cárdenas, pois este não buscou colocar o Estado acima das classes, com o intuito de harmonizar as relações sociais. Cárdenas afirmava a existência da luta de classes e posicionava-se ao lado dos trabalhadores.

Mas, por outro lado, a forma de centralização do Estado e de gestão dos interesses sociais por esta instituição aproximava o modelo de ação de Cárdenas do corporativismo, desenvolvido inicialmente pelos governos fascistas europeus.

Tais medidas mostraram que houve uma similitude em várias ações estatais adotadas pelos governos na década de 1930, como resposta à crise econômica ocorrida após a queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Essas medidas eram respostas à crise do modelo liberal de administração econômica e social, passando o Estado a ser a principal instituição gestora da sociedade capitalista.

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