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Os “super atletas” do passado

Os “super atletas” do passado
Antropólogos conseguiram desconstruir nossa visão deturpada sobre a evolução humana.

Muitas pessoas acreditam que o processo de evolução do homem evoca necessariamente uma lógica na qual nossos antepassados são considerados uma versão inferior ou menos funcional da que apresentamos atualmente. Assim, o verbo “evoluir” estabelece um sentido de que os homens do passado são piores do que aqueles que estão por vir. Na verdade, engana-se aquele que acredita nessa distorção sobre as teorias que foram uma vez lançadas pelo cientista Charles Darwin.

Pesquisas recentes demonstram que os nossos antepassados possuíam características físicas que colocariam os nossos mais bem preparados atletas no finalzinho do pódio. O antropólogo australiano Peter McAllister apontou que os aborígenes australianos de 20 mil anos atrás poderiam alcançar velocidades superiores ao do maratonista Usain Bolt, atual recordista dos 100 e 200 metros rasos. Para comprovar isso, ele realizou um complexo estudo biométrico das pegadas de seis fósseis encontrados em uma lagoa.

Segundo suas conclusões, esses antepassados humanos poderiam atingir facilmente uma velocidade média de 37 km/h em uma superfície irregular. Em seu recorde, o velocista jamaicano Usain Bolt atingiu os 42 km/h. Dessa forma, oferecendo as condições de preparação de um atleta olímpico, esses antigos aborígenes da Austrália poderiam alcançar uma velocidade aproximada de 45 km/h. Será que algum atleta poderia superar uma arrancada dessas?

Em outra de suas teorias, ele aponta que alguns antepassados mais recentes também executariam ou superariam marcas olímpicas sem muita dificuldade. Através de fotos tiradas por um antropólogo alemão no início do século XX, foi comprovado que os jovens tutsis, de Ruanda, chegavam a saltar até 2,52 metros de altura em um de seus rituais de passagem para a vida adulta. Comparativamente, esses jovens superariam em sete centímetros a marca mundial do salto com vara.

Reservando uma última provocação para aqueles homens que passam horas nas academias, o referido antropólogo australiano também investigou a estrutura corporal das mulheres de Neanderthal. Em uma rápida comparação, ele percebeu que essas mulheres tinham até 10% de massa muscular a mais que um homem europeu comum. Dessa forma, mediante uma preparação adequada, elas teriam 90% da massa muscular que Arnold Schwarzenegger atingiu no auge de sua carreira como fisiculturista.

Mais que simples curiosidades, essas informações nos revelam que o processo evolutivo não gira em torno da ideia simples de acréscimo ou melhora. Naquele tempo, os nossos antepassados possuíam qualidades que se adaptavam melhor às características impostas pelo meio. Atualmente, as transformações naturais certamente colocariam esses hábeis atletas em situações embaraçosas ou nem mesmo chegariam a sobreviver no mundo contemporâneo.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

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